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Como fazer a AEP: três postos fictícios do registro ao inventário e ao plano de ação.

Quem procura “como fazer AEP” e “modelo de AEP” quer ver a avaliação ergonômica preliminar preenchida, com a decisão que sai dela. A NR-17 diz o que a AEP precisa ser e que deve ser registrada; não mostra um caso. Aqui três postos inventados, de natureza diferente, são percorridos até a linha do inventário e do plano de ação, e cada um termina em uma decisão: medida direta ou AET.

Aviso: os postos abaixo são inventados. A empresa, as queixas, as classificações e as medidas foram criadas para ilustrar a estrutura de uma AEP. Não descrevem nenhuma empresa real. Uma observação de vocabulário, dita uma vez: a NR-17 escreve avaliação ergonômica preliminar por extenso e não usa a sigla; AEP é a abreviatura corrente, inclusive nas perguntas e respostas do Ministério do Trabalho sobre o GRO e o PGR.

1. O que a NR-17 exige da AEP

NR-17, item 17.3.1 “A organização deve realizar a avaliação ergonômica preliminar das situações de trabalho que, em decorrência da natureza e conteúdo das atividades requeridas, demandam adaptação às características psicofisiológicas dos trabalhadores, a fim de subsidiar a implementação das medidas de prevenção e adequações necessárias previstas nesta NR.”
NR-17, item 17.3.1.1 “A avaliação ergonômica preliminar das situações de trabalho pode ser realizada por meio de abordagens qualitativas, semiquantitativas, quantitativas ou combinação dessas, dependendo do risco e dos requisitos legais, a fim de identificar os perigos e produzir informações para o planejamento das medidas de prevenção necessárias.”
NR-17, item 17.3.1.2.1 “A avaliação ergonômica preliminar das situações de trabalho deve ser registrada pela organização.”

O item 17.3.1.2 acrescenta que a AEP pode ser contemplada nas etapas do processo de identificação de perigos e avaliação de riscos do item 1.5.4 da NR-01. Ou seja, não é preciso um documento separado, mas é preciso que o registro exista e permita ver o que foi avaliado. O que o registro precisa mostrar está no artigo AEP e checklist de ergonomia; a definição está em o que é a AEP. Aqui o foco é o preenchimento.

2. O roteiro de preenchimento, em seis passos

  1. Delimitar a situação de trabalho: a atividade e as condições, não só o nome do cargo.
  2. Observar e ouvir os trabalhadores da situação (item 17.3.8).
  3. Escolher a abordagem (17.3.1.1): qualitativa, semiquantitativa ou quantitativa, conforme o risco.
  4. Descrever o perigo com fonte ou circunstância e o possível agravo.
  5. Classificar o risco pela matriz do PGR, não por escala própria.
  6. Decidir: medida direta no plano de ação, ou análise mais aprofundada, a AET.
Seis passos para fazer a avaliação ergonômica preliminar: delimitar a situação de trabalho, observar e ouvir os trabalhadores, escolher a abordagem, descrever o perigo com fonte e circunstância, classificar pela matriz do PGR e decidir entre medida direta e AET, com o registro no inventário e no plano de ação
A AEP termina em uma decisão por situação: medida direta no plano de ação ou análise mais aprofundada, a AET.

O quarto passo repete o que a NR-01 pede do inventário. Vale ler o item inteiro, porque ele define as colunas do que a AEP vai alimentar:

NR-01, item 1.5.7.3.2 “O inventário de riscos ocupacionais deve contemplar, no mínimo, as seguintes informações: a) caracterização dos processos e ambientes de trabalho; b) caracterização das atividades; c) descrição dos perigos, com a identificação das fontes e/ou circunstâncias; d) indicação das possíveis lesões ou agravos à saúde decorrentes da exposição dos trabalhadores aos perigos; e) indicação dos grupos de trabalhadores expostos aos perigos; f) descrição das medidas de prevenção implementadas; g) caracterização da exposição dos trabalhadores aos perigos; h) dados da análise preliminar ou do monitoramento das exposições a agentes físicos, químicos e biológicos e os resultados da avaliação de ergonomia nos termos da NR-17; e i) avaliação dos riscos, incluindo a classificação para fins de elaboração do plano de ação.”

3. Posto 1: analista de faturamento (escritório)

Na empresa fictícia Distribuidora Beta, o analista de faturamento trabalha sete horas por dia ao computador, sentado, com dois monitores. Ninguém do posto relatou dor. O registro:

CampoPreenchimento (fictício)
Situaçãotrabalho administrativo com computador, 4 pessoas, um turno
Como foi avaliadoobservação do posto e conversa com as 4 pessoas; abordagem qualitativa
Perigo e circunstânciapostura sentada prolongada; monitor principal abaixo da linha dos olhos
Possível agravodesconforto cervical e lombar
Classificação no PGRrisco médio
Decisãomedida direta: elevar o monitor e regular a cadeira; sem AET por ora
Linha do plano de açãoajuste dos 4 postos, responsável: administrativo, prazo de 30 dias

A decisão “sem AET por ora” não é um atestado de que está tudo certo. É o registro de que a situação, no estado atual, se resolve com uma medida simples, e que a AEP volta a olhar o posto se surgirem queixas ou mudar a rotina. O que a NR-17 exige do mobiliário e do terminal de vídeo está em ergonomia no escritório.

4. Posto 2: montador na linha de montagem

Na mesma empresa, a linha monta pequenos conjuntos elétricos. O ciclo é curto, cerca de 45 segundos, e a tarefa exige encaixe e aperto repetidos com a mão direita. Dois dos seis montadores relataram dor no punho.

CampoPreenchimento (fictício)
Situaçãomontagem manual repetitiva, 6 pessoas, dois turnos
Como foi avaliadoobservação de três ciclos por turno, cronometragem e escuta; abordagem semiquantitativa
Perigo e circunstânciarepetição de movimentos do punho e da mão; ciclo curto; ferramenta de aperto com cabo inadequado à mão
Possível agravodistúrbio osteomuscular do membro superior
Classificação no PGRrisco alto
DecisãoAET da situação (necessidade de avaliação mais aprofundada); medida provisória no plano enquanto isso
Linhas do plano de açãocontratar a AET, prazo de 60 dias; trocar a ferramenta, prazo de 30 dias; rodízio temporário entre dois postos (as pausas, quando entram como medida, têm requisitos próprios, vistos em pausas na NR-17)

Este é o posto que vira AET. A norma põe a análise aprofundada para a situação em que a preliminar identifica essa necessidade (item 17.3.2, alínea “a”), e como o escopo é por situação, o artigo uma AET para a empresa toda ou uma por posto? mostra como delimitá-la. O que a AET fará depois está em AET passo a passo.

5. Posto 3: auxiliar de expedição no depósito

No depósito, o auxiliar monta paletes com caixas de 8 a 18 kg, sem esteira nem carrinho elevador. Uma pessoa relatou dor lombar. O registro:

CampoPreenchimento (fictício)
Situaçãomovimentação manual de caixas para formar paletes, 5 pessoas, um turno
Como foi avaliadoobservação da tarefa, medida das alturas de pega e deposição, escuta; abordagem semiquantitativa
Perigo e circunstâncialevantamento manual não eventual, com deposição acima dos ombros nas últimas camadas
Possível agravolombalgia e sobrecarga de ombros
Classificação no PGRrisco médio na maior parte da tarefa; alto nas últimas camadas
Decisãomedida direta para a maior parte da tarefa; AET apenas para as últimas camadas, se a medida direta não resolver
Linhas do plano de açãoplataforma elevatória de palete, prazo de 90 dias; limitar a altura do palete manual; reavaliar a tarefa depois

Aqui a AEP faz o que dela se espera: separa o que se resolve com uma medida do que pede análise. Se a medida direta não baixar o risco, a análise do levantamento, com cálculo, entra; o artigo equação NIOSH na AET mostra como esse cálculo funciona.

6. Do registro ao inventário e ao plano de ação

NR-17, item 17.3.5 “Devem integrar o inventário de riscos do PGR: a) os resultados da avaliação ergonômica preliminar; e b) a revisão, quando for o caso, da identificação dos perigos e da avaliação dos riscos, conforme indicado pela AET.”
NR-17, item 17.3.6 “Devem ser previstos planos de ação, nos termos do PGR, para: a) as medidas de prevenção e adequações decorrentes da avaliação ergonômica preliminar, atendido o previsto nesta NR; e b) as recomendações da AET.”

Cada posto do exemplo gera pelo menos uma linha do inventário (perigo, fonte, agravo, grupo exposto, classificação) e uma ou mais linhas do plano de ação (medida, responsável, prazo). O posto 1 gera uma linha em cada; o posto 2, três ações no plano; o posto 3, duas linhas de inventário, uma por faixa de exposição. O relatório que não chega a essas linhas não cumpriu o objetivo da AEP, que é subsidiar a implementação das medidas. O desdobramento está em AEP e AET no inventário e no plano de ação.

NR-17, item 17.3.8 “A organização deve garantir que os empregados sejam ouvidos durante o processo da avaliação ergonômica preliminar e na AET.”

Nos três registros, a linha “como foi avaliado” inclui a conversa com os trabalhadores. É a parte que mais some quando a AEP vira um formulário preenchido na mesa do analista.

7. Roteiro de conferência de uma AEP pronta

  • Cada situação está descrita pela atividade e pelas condições, com o número de pessoas?
  • Há abordagem declarada e há registro de que os trabalhadores foram ouvidos?
  • O perigo tem fonte ou circunstância, e o agravo possível é nomeado?
  • A classificação usa a matriz do PGR?
  • Cada situação termina em uma decisão: medida direta ou AET?
  • As medidas têm responsável e prazo no plano de ação?
  • O resultado está no inventário, e não apenas anexado?
Posição da casa

A diferença entre uma AEP útil e uma AEP de gaveta está na última linha de cada posto: a decisão. Registro que só descreve e classifica, sem dizer se a situação se resolve com medida direta ou se vira AET, deixa a empresa com um diagnóstico e sem caminho. O exemplo acima mostra os três desfechos possíveis num único estabelecimento: um posto que se resolve com ajuste, um que vira AET e um que se divide em dois.

Na PCMSO.Brasil, a elaboração de AEP entrega o registro por situação, com a decisão e as linhas já no formato do inventário e do plano de ação. A página da avaliação ergonômica preliminar explica o serviço, e há um modelo demonstrativo para download em materiais.

Perguntas frequentes

A AEP precisa ser um documento separado do PGR?

Não necessariamente. O item 17.3.1.2 da NR-17 permite que a avaliação ergonômica preliminar seja contemplada nas etapas do processo de identificação de perigos e de avaliação dos riscos do item 1.5.4 da NR-01. O que o item 17.3.1.2.1 exige é que ela seja registrada pela organização.

Posso usar só um checklist como AEP?

O item 17.3.1.1 admite abordagens qualitativas, semiquantitativas, quantitativas ou combinadas, e o checklist pode ser a ferramenta. O que não pode faltar é o registro da situação avaliada, do perigo, da classificação e da decisão, além da escuta dos trabalhadores (17.3.8).

Quando a AEP termina em AET?

Quando a avaliação preliminar mostra necessidade de avaliação mais aprofundada da situação, hipótese da alínea “a” do item 17.3.2. Se a situação se resolve com medida direta, a medida entra no plano de ação (17.3.6, “a”) e a avaliação é registrada.

Quantos postos uma AEP cobre?

A NR-17 fala em situações de trabalho, não em número de postos. Uma AEP pode cobrir todas as situações do estabelecimento, desde que cada uma seja descrita, avaliada e registrada.

Onde o resultado da AEP é registrado no PGR?

No inventário de riscos, conforme o item 17.3.5, alínea “a”, com as informações do item 1.5.7.3.2 da NR-01, e as medidas decorrentes entram no plano de ação, conforme o item 17.3.6, alínea “a”.

Fontes

Toda afirmacao normativa deste texto foi conferida na fonte oficial, com o item citado.

  1. Ministério do Trabalho e Emprego · NR-17 — Ergonomia (texto vigente) · itens 17.3.1, 17.3.1.1, 17.3.1.2, 17.3.1.2.1, 17.3.2 (alínea “a”), 17.3.5, 17.3.6 e 17.3.8 Acesso em 31/10/2026
  2. Ministério do Trabalho e Emprego · NR-01 — Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (texto vigente) · itens 1.5.4 e 1.5.7.3.2 Acesso em 31/10/2026
  3. Ministério do Trabalho e Emprego · Perguntas e Respostas sobre GRO e PGR — maio de 2026 · pergunta 2 (uso da sigla AEP pelo Ministério) Acesso em 31/10/2026

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