Modelo de PCMSO em PDF: a estrutura serve, o conteúdo tem de ser da empresa.
Quem baixa um modelo de PCMSO quer ganhar tempo. O risco é ganhar junto o endereço, os riscos, o médico e os números de outra empresa. Este roteiro mostra o que a NR-07 amarra ao PGR, onde o dado alheio costuma se esconder e como conferir o arquivo antes de assinar.
1. O que a NR-07 diz sobre modelo, e o que diz no lugar
Numa busca no texto vigente da NR-07, a palavra “modelo” só aparece no Anexo II: uma vez para identificar o modelo do audiômetro e outra no formulário para registro de traçado audiométrico. A norma não traz modelo de PCMSO. Ela diz, em vez disso, de onde o programa parte e o que ele precisa conter:
Cada alínea do 7.5.4 é um ponto onde um modelo alheio entra errado. A alínea “a” depende dos riscos do PGR desta empresa; a “b”, da grade que sai desses riscos; a “c”, das condutas escritas para este processo; a “d”, da lista de médicos que de fato examinam; a “e”, dos números deste estabelecimento. Um modelo traz a ordem das seções. O que vai dentro delas só o PGR da empresa fornece. O caminho de elaboração, do zero, está em como se elabora um PCMSO.
2. Onde o dado de outra empresa se esconde
O resíduo raramente está onde a pessoa procura. Trocar o nome na capa não limpa o rodapé, o anexo, a tabela de funções nem as propriedades do arquivo. A tabela lista as partes do documento, o que costuma sobrar em cada uma e o item que amarra aquela parte à empresa:
| Parte do arquivo | O que costuma sobrar | O que amarra |
|---|---|---|
| Capa, cabeçalho e rodapé | razão social, CNPJ, endereço, logotipo e nome do cliente anterior | PGR por estabelecimento (NR-01, 1.5.3.1.1.1) |
| Caracterização da empresa | número de empregados, atividade, setores e funções da outra empresa | 7.5.1 |
| Riscos e agravos | agentes, fontes, níveis medidos e agravos copiados do inventário alheio | 7.5.4, “a”; NR-01, 1.5.7.3.2 |
| Grade de exames e periodicidade | exames pedidos por costume e regime (anual ou bienal) que não saiu do PGR desta empresa | 7.5.4, “b”; 7.5.8; 7.5.18 |
| Critérios de conduta | limites e condutas escritos para outro processo produtivo | 7.5.4, “c” |
| Médico responsável | nome, CRM, RQE, cidade e assinatura de quem assinou antes | 7.4.1, “c”; 7.5.19.1, “f” |
| Modelo de ASO | riscos pré-preenchidos ou lista padrão no campo de perigos | 7.5.19.1, “c” |
| Datas e relatório analítico | data de elaboração, vigência e relatório com os números da outra empresa | 7.6.2 |
| Propriedades do arquivo | autor, título, empresa e histórico de revisões gravados no Word ou no PDF | conferência do arquivo, sem item de NR |
Esse é o ponto de partida do PCMSO. Se o PGR é por estabelecimento, o PCMSO que parte dele acompanha o estabelecimento, e um modelo feito para a matriz de outra empresa não descreve a filial desta. A relação entre matriz, filiais e programas está em matriz e filiais: quantos PGR e quantos PCMSO.
3. O que pode ficar e o que tem de ser refeito
O modelo tem utilidade, e ela é a estrutura. A divisão que a casa usa:
| Pode ficar (estrutura) | Precisa ser refeito (conteúdo) |
|---|---|
| ordem das seções, que acompanha as alíneas do 7.5.4 | identificação da organização e do estabelecimento |
| texto sobre as diretrizes do programa (7.3.2) | funções, setores e número de empregados |
| os cinco exames obrigatórios (7.5.6) | riscos, agravos e grade de exames por função |
| campos mínimos do ASO (7.5.19.1) | periodicidade de cada função (regime do PGR) |
| prazo de guarda do prontuário (7.6.1.1) | critérios de conduta por exame |
| conteúdo mínimo do relatório analítico (7.6.2) | médico responsável, datas e relatório do período |
Repare que a coluna da direita é a que o PGR preenche. É também a que o médico precisa conferir contra o inventário, conforme o item 7.5.5:
4. Um exemplo, com duas empresas inventadas
As empresas abaixo, “Fábrica Exemplo” (origem do modelo) e “Oficina Exemplo” (destino), foram inventadas para esta explicação. Nenhum nome, número ou achado corresponde a empresa efetiva.
| O que o modelo trazia | O que o PGR da Oficina Exemplo mostra | O que precisa mudar |
|---|---|---|
| Audiometria anual para todas as funções | ruído acima do nível de ação só na funilaria | audiometria só para quem o PGR indica (Anexo II, item 2) |
| Indicador biológico de solvente para a produção | nenhuma atividade de pintura | retirar: sem risco classificado no PGR, o exame não tem relação nem justificativa (7.5.18) |
| Periodicidade anual para todos | dois cargos administrativos sem exposição classificada | regime de cada função pelo item 7.5.8, inciso II, com a classificação escrita |
| Campo de riscos do ASO com “ruído; poeira” | o inventário não lista poeira | o campo “c” do ASO deve espelhar o inventário (7.5.19.1) |
| Relatório com 214 exames do ano anterior | empresa recém-contratada, sem relatório anterior | apagar os números; o primeiro relatório nasce do ciclo desta empresa (7.6.2) |
| CRM e RQE do médico da Fábrica Exemplo | Oficina Exemplo fica em outro estado | conferir o par CRM e RQE do médico que assina este documento |
Nenhum desses seis erros é de digitação. Todos nascem do mesmo gesto: aceitar o conteúdo do modelo como se fosse o resultado de uma análise que, para esta empresa, ninguém fez. É o cenário descrito em riscos de um PCMSO mal feito.
5. Roteiro para adaptar o modelo
- Receber o PGR da empresa (inventário e plano de ação) antes de abrir o modelo. O que a empresa deve mandar está em o que enviar para o médico elaborar o PCMSO.
- Refazer a identificação sem “localizar e substituir”: o comando troca a grafia exata e deixa a variante em caixa alta, a sigla, o e-mail e o nome dentro de imagens.
- Reconstruir a tabela de funções a partir da folha de pagamento e do inventário, e comparar as duas.
- Reescrever, função por função, os riscos e os agravos possíveis (item 7.5.4, “a”).
- Refazer a grade e a periodicidade, com a base ao lado de cada exame: item de NR ou de Anexo, e, para exame fora dos Anexos, o risco do PGR e a justificativa técnica (7.5.18).
- Revisar os critérios de conduta (7.5.4, “c”). O assunto está em critérios de interpretação e conduta.
- Trocar o bloco do médico, o modelo de ASO (sete alíneas do 7.5.19.1), as datas e a vigência.
- Procurar resíduo no arquivo final (seção 6) antes de qualquer assinatura.
6. A busca por resíduo antes de assinar
A conferência é de arquivo, não de leitura corrida. Quem lê o documento já o conhece e deixa passar o que está no lugar errado. O que a casa faz, em ordem:
- Buscar, no arquivo final, o nome, o CNPJ, a cidade, o telefone, o domínio de e-mail e o médico da empresa de origem, incluindo cabeçalhos, rodapés, notas, anexos e textos alternativos de imagens.
- Abrir as propriedades do documento e apagar autor, título e empresa gravados pelo programa de origem.
- Contar as funções do documento e comparar com a folha e com o inventário.
- Percorrer a grade perguntando, linha a linha, qual risco do PGR desta empresa pede aquele exame. A linha sem resposta sai ou ganha justificativa.
- Conferir o par CRM e RQE impresso: é o de quem assina, e o CRM e o RQE andam em par por estado. O caso de médico e empresa em estados diferentes está em PCMSO assinado por médico de outro estado.
- Ler o PDF que será entregue, e não o Word que o gerou.
7. Quem assina não é o modelo
O PCMSO tem um médico responsável, indicado pelo empregador, e é ele quem responde pelo conteúdo. Modelo com bloco de assinatura já preenchido, ou com carimbo de quem não vai acompanhar este programa, é sinal de alerta. O médico que assina precisa ter lido o PGR desta empresa e conferido o arquivo. Veja quem pode assinar o PCMSO, a conferência técnica antes de assinar e, para o caso de programa herdado de outro médico, assumir um PCMSO feito por outro médico.
O mesmo vale para o documento gerado por sistema, que é um modelo com preenchimento automático: o que o sistema não faz está em PCMSO gerado por software. Os prazos de exame que o modelo traz também precisam ser lidos contra o PGR, como mostra ASO tem validade. E em setor com norma própria, como o frigorífico e o posto de combustível, o modelo genérico perde itens que a norma setorial escreve.
Modelo é estrutura. Na área de materiais, os modelos demonstrativos da PCMSO.Brasil trazem o aviso de modelo em todas as páginas e campos “[PREENCHER]” visíveis, justamente para que ninguém os entregue como documento: o PCMSO modelo comentado explica o que entra em cada seção e por quê. Servem para mostrar a estrutura e o raciocínio, não para serem preenchidos às cegas.
Nos PCMSO que elaboramos, o ponto de partida é sempre o PGR da empresa, e cada exame da grade sai com a base escrita ao lado. O que o modelo traz de conteúdo só entra se o inventário o confirmar, e nada sai do arquivo sem a busca por resíduo da seção 6.
Para ver a estrutura, baixe o modelo comentado em materiais. Se o programa precisa ser elaborado ou conferido a partir do PGR da empresa, a elaboração de PCMSO da PCMSO.Brasil faz o caminho inverso do modelo: parte dos riscos e chega ao documento.
Perguntas frequentes
Existe um modelo oficial de PCMSO?
Não. A NR-07 não traz modelo de PCMSO. O único modelo de documento do texto é o formulário de traçado audiométrico do Anexo II. A norma define o que o programa deve conter (item 7.5.4) e o ponto de partida, que são os riscos identificados e classificados no PGR (item 7.5.1).
Posso usar um modelo de PCMSO baixado da internet?
Como estrutura, sim. O conteúdo precisa vir do PGR da empresa: riscos, agravos, grade de exames, periodicidade e critérios de conduta. O documento só é entregue depois que o médico responsável o conferiu e assinou, e depois de uma busca por resíduo de outra empresa no arquivo.
Basta trocar o nome e o CNPJ da empresa?
Não. Nome e CNPJ são a parte mais visível. Ficam para trás as funções, os riscos, a grade, a periodicidade, o médico, o modelo de ASO, as datas e o relatório analítico da empresa de origem, além do autor e da empresa gravados nas propriedades do arquivo.
O modelo pode vir com o médico responsável já preenchido?
Não deve. O PCMSO tem médico do trabalho responsável indicado pelo empregador (item 7.4.1, alínea “c”), e ele responde pelo conteúdo. Nome, CRM, RQE e assinatura são os de quem assume este programa.
Posso reaproveitar o PCMSO do ano anterior da mesma empresa?
Como base, sim, mas o item 7.5.1 liga o programa ao PGR vigente. Se o inventário, as funções ou os riscos mudaram, a grade muda. O relatório analítico do período anterior também precisa ser lido e comparado com o novo (item 7.6.2). O passo a passo está em como elaborar um PCMSO.
Fontes
Toda afirmacao normativa deste texto foi conferida na fonte oficial, com o item citado.
- Ministério do Trabalho e Emprego · NR-07 — Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (texto vigente) · itens 7.3.2, 7.4.1, 7.5.1, 7.5.4, 7.5.5, 7.5.6, 7.5.8, 7.5.18, 7.5.19.1, 7.6.1.1, 7.6.2 e Anexo II, item 2 Acesso em 17/10/2026
- Ministério do Trabalho e Emprego · NR-01 — Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (texto vigente) · itens 1.5.3.1.1.1 e 1.5.7.3.2 Acesso em 17/10/2026